Auditoria do conteúdo que já está publicado
Medir o material que parece pronto contra uma régua escrita, porque "está pronto" e "passa na régua" são coisas diferentes, e a distância entre as duas costuma ser enorme.
Material publicado tem uma propriedade incômoda: ele parece bom. Está lá, preenchido, com a aparência de quem foi feito por alguém competente, e ninguém tem motivo para desconfiar.
A única forma de saber se ele presta é medir contra um critério escrito antes. E é quase certo que a medida vai doer.
O número que me fez escrever esta página
Cada produto de um catálogo meu tinha o material de apoio que gera as peças de anúncio. Existiam, estavam preenchidos, pareciam competentes.
Auditados contra um padrão escrito: 57 arquivos e 475 itens, com 17,3% de conformidade no critério mais básico e 22,1% no de densidade. Em cinco dos 57 arquivos, o conferente não reconheceu um único item válido.
Depois da reescrita item por item, medido de novo em 12 de setembro de 2026: 53 de 59 arquivos passam em todos os critérios, e os seis que faltam são de um nicho deixado de fora de propósito.
| Medição | O que passou | Base | Observação |
|---|---|---|---|
| Agosto, critério básico | 82 itens | 475 itens | 17,3% |
| Agosto, critério de densidade | 105 itens | 475 itens | 22,1% |
| 12/09/2026, todos os critérios | 53 arquivos | 59 arquivos | os 6 que faltam são de um nicho deixado fora de propósito |
Uma ressalva que faz parte do número: a base mudou de 475 para 590 itens entre as duas medições. São denominadores diferentes, e dizer isso é o que separa uma medição de uma propaganda. A tabela acima traz as duas bases lado a lado justamente para que ninguém leia a melhora como se fosse a mesma régua sobre o mesmo material.
“Está pronto” e “passa na régua” eram coisas separadas por mais de oitenta pontos. Sem régua escrita, ninguém teria percebido, porque o material parecia bom.
O que entra e o que não entra
Entra
- Escrita da régua, antes de medir qualquer coisa
- Inventário de tudo que está publicado com o seu nome
- Medição item por item, com o resultado contado e não estimado
- Conferência do que está escrito dentro de imagem e de PDF
- Lista do que corrigir, do que reescrever e do que tirar do ar
- Remedição depois da correção, com o denominador declarado
- Relatório com o critério usado, para qualquer pessoa poder repetir
Não entra
- Reescrita de tudo, que é trabalho de outra frente
- Auditoria do mérito técnico da sua área
- Comparação com concorrente
- Nota única de qualidade, do tipo "seu conteúdo é 7"
- Promessa de resultado em busca depois da correção
A quarta linha da direita é escolha deliberada. Nota única esconde o que importa. Saber que 17% dos itens passam num critério específico é acionável; saber que o material tirou nota 4 não é.
A régua vem antes, e por quê
Medir sem critério escrito é opinar com aparência de número. O critério precisa existir antes de a medição começar, porque critério escrito depois da medição é sempre escrito para caber no resultado.
Cada item da régua precisa ser verificável do mesmo jeito por duas pessoas diferentes. “Texto bom” não serve. “Responde a pergunta do título até o fim” serve. “Cada número tem fonte, período e denominador” serve.
Como o trabalho acontece
- Escrever a réguaPoucos critérios, todos verificáveis. Régua com trinta itens não é usada nem por quem a escreveu.
- InventariarTudo que está no ar com o seu nome, inclusive o que você esqueceu que existe. O que ninguém lembra é onde mora a informação vencida.
- Medir e contarItem por item, com o resultado em fração: quantos de quantos. Percentual sem denominador não é medida.
- PriorizarO que está errado e circulando vem antes do que está incompleto e parado.
- RemedirDepois da correção, com o denominador dito em voz alta. Se a base mudou, isso entra no relatório, e não no rodapé.
O que depende de você
Sem isto, a frente trava
- Aprovar a régua antes de eu medir, porque ela define o que é bom
- Acesso a tudo que está publicado, inclusive o que está em plataforma de terceiro
- Decidir o que sai do ar, quando a resposta for tirar
- Estômago para o primeiro número, que costuma ser ruim
O quarto item é o mais real. O primeiro resultado de uma auditoria dessas quase sempre é pior do que o dono imagina, e a reação natural é discutir a régua. Por isso a régua é aprovada antes.
Quando eu não recomendo
Não contrate isto agora se
- Você tem pouco material publicado. Com poucos itens, corrigir direto é mais barato que medir.
- Você já decidiu refazer tudo. Auditar o que vai morrer é trabalho perdido.
- Você quer o número para mostrar a alguém. Auditoria feita para produzir número bonito produz número bonito e nada mais.
- Não há quem corrija depois. Auditoria sem correção vira relatório guardado, e o material continua igual.
Perguntas que aparecem sempre
Quanto material dá para auditar? Depende do tamanho. Cinquenta e sete arquivos com quase quinhentos itens é uma escala que dá para medir inteira.
E se o resultado for ruim? É o resultado mais comum, e é o útil. O ruim é o material parecer bom e ninguém ter medido.
Você reescreve depois? A reescrita é outra frente, com custo próprio. A auditoria entrega a lista e a ordem.
Posso usar essa régua sozinho depois? Pode, e é o objetivo. Ela fica com você, escrita, e serve para conferir o que for produzido daqui para frente.