Migração sem perder o que já funciona
Trocar de endereço, de hospedagem ou de plataforma sem derrubar o que hoje traz cliente, e sabendo dizer, antes, o que a troca vai custar.
Migração é a frente em que o risco não está em fazer errado. Está em fazer certo na hora errada.
A arquitetura nova costuma ser melhor mesmo. O que quase ninguém coloca na conta é o custo da travessia: o histórico que não vai junto, a campanha que precisa recomeçar, o endereço que o buscador leva meses para reindexar.
O caso em que a melhoria certa foi adiada
Uma operação de captação distribuía contatos entre vários números e vários atendentes, com mistura de atendimento e contato duplicado. Centralizar os números era claramente a arquitetura certa.
Só que um daqueles números estava ligado às campanhas em veiculação. Tirá-lo de lá pausaria os anúncios e faria tudo recomeçar sem o histórico acumulado.
A mudança não foi feita naquele momento. O que já performava ficou de pé, e a redistribuição foi tratada por outro caminho.
Uma melhoria só é boa quando o custo da travessia também é aceitável. Arrumar o que está feio e desligar o que está vendendo é troca ruim, e é troca que fornecedor faz com frequência, porque a parte feia é a que incomoda ele.
O que entra e o que não entra
Entra
- Inventário do que existe, incluindo o que está em nome de terceiro
- Levantamento do que vai junto e do que não vai, escrito antes
- Cópia de segurança conferida antes de qualquer mudança
- Mapa de endereços antigos para os novos, para ninguém cair em erro
- Virada com o novo já pronto, e o antigo no ar até lá
- Conferência depois da virada, olhando as páginas
- Acompanhamento das semanas seguintes, porque o efeito não é imediato
Não entra
- Redesenho ou reescrita durante a migração
- Migrar o que está em disputa de titularidade
- Recuperar histórico que a plataforma de origem não exporta
- Promessa de manter a posição em busca
A primeira linha da direita é regra que eu não abro. Migrar e redesenhar ao mesmo tempo é a receita para não saber o que quebrou. Se depois da virada alguma coisa piorar, com as duas mudanças juntas ninguém consegue dizer qual delas causou.
O que sempre se perde, e é melhor saber antes
Alguma coisa sempre fica para trás. Dizer o que é, antes, transforma perda em decisão.
O histórico de conversa de aplicativo comum não migra para conta oficial. A avaliação e o comentário de uma plataforma não vão para outra. O histórico de uma conta de anúncio não se transfere. O endereço antigo leva tempo para deixar de aparecer na busca, e nesse meio tempo as duas versões convivem.
Nenhuma dessas coisas impede a migração. Todas mudam a resposta à pergunta de se ela vale a pena agora.
Como o trabalho acontece
- Inventário e titularidadeO que existe, em nome de quem, e o que está ligado a quê. Número ligado a campanha em veiculação é o tipo de amarração que só aparece quando alguém procura.
- Lista do que vai e do que ficaEscrita e aprovada antes de começar. É essa lista que evita a frase "eu achei que isso viria junto".
- Cópia de segurançaConferida, não apenas feita. Já encontrei histórico de versões que era só aparência, sem nada dentro.
- Construção em paraleloO novo é montado enquanto o antigo continua no ar, atendendo normalmente.
- Virada e conferênciaA troca acontece com o novo pronto e o certificado ativo. Depois, as páginas são olhadas do jeito que aparecem para quem entra, não pelo relatório.
O que depende de você
Sem isto, a frente trava
- Titularidade ou acesso ao registro do endereço
- Decidir o que pode ser perdido, depois de eu dizer o que se perde
- Escolher a janela da virada, porque ela mexe com o seu movimento
- Aceitar que os efeitos em busca demoram semanas para estabilizar
O primeiro item é o que mais impede migração de acontecer. Recuperar endereço com titularidade errada pode levar meses e pode simplesmente não dar certo. Quando esse é o caso, a migração não começa: começa a conversa sobre o endereço, que às vezes é jurídica.
Quando eu não recomendo
Não contrate isto agora se
- O que está no ar hoje está trazendo cliente e a troca interromperia isso. Espere a janela certa.
- A titularidade do endereço ou das contas está em disputa. Isso vem antes.
- Você quer migrar e redesenhar junto para economizar. Sai mais barato e você perde a capacidade de saber o que quebrou.
- O motivo da migração é só insatisfação com a aparência. Aparência se resolve sem trocar de lugar.
Perguntas que aparecem sempre
O site sai do ar? Não. O antigo fica no ar até o novo estar pronto, e a virada acontece com tudo conferido.
Perco a posição no Google? Pode oscilar por algumas semanas, mesmo com tudo feito certo. O mapa de endereços antigos para novos é o que reduz isso, e não existe garantia de posição, nem antes nem depois.
Dá para migrar aos poucos? Em alguns casos sim, e é o melhor caminho quando dá. Uma parte por vez permite voltar atrás sem desfazer tudo.
E se a migração der errado? Volta-se para o estado anterior, que continua existindo. É para isso que a cópia conferida e a virada com o antigo no ar existem.